
Carros Mais Vendidos em Portugal em Janeiro de 2026: Uma Nova Era de Eletrificação e Desafios
O mercado automóvel português inicia 2026 sob uma nova perspetiva, marcado por uma queda acentuada nas vendas em janeiro, mas também por uma visão de futuro impulsionada pela eletrificação. A análise dos dados mais recentes revela um cenário de transformação, onde a tradição cede espaço a novas tecnologias e a concorrência se intensifica.
O panorama de janeiro de 2026: queda nas vendas e novos líderes
Em janeiro de 2026, foram comercializadas 15.504 unidades de veículos novos em Portugal, o que representa uma quebra de 7,8% em relação ao mesmo período de 2025. Este decréscimo reflete uma tendência global de desaceleração económica e incerteza, que afeta o poder de compra e a confiança dos consumidores.
A liderança do ranking é assumida pelo Dacia Sandero, com 616 unidades vendidas, garantindo uma quota de mercado de 4%. Este modelo compacto e acessível continua a conquistar os portugueses pela sua relação qualidade-preço, apesar da crescente oferta de veículos elétricos.
Na segunda posição, surge o Nissan Juke, com 482 unidades comercializadas e 3,3% de participação. A versão híbrida do Juke tem sido um trunfo para a marca japonesa, atraindo consumidores que procuram um equilíbrio entre performance e eficiência.
O Peugeot 2008 completa o pódio, com 421 unidades emplacadas e 2,9% do mercado. Este SUV compacto mantém a sua popularidade благодаря ao design moderno e às opções de motorização, incluindo a versão elétrica.
O ranking das 50 marcas mais vendidas em Portugal em janeiro de 2026 revela uma concorrência acirrada, com a Peugeot a consolidar a sua posição de liderança. A marca francesa registou 1.420 unidades vendidas, alcançando 9,8% de participação no mercado. Este desempenho reflete a estratégia da Peugeot em diversificar a sua oferta e apostar em modelos eletrificados.
A Dacia segue de perto na segunda posição, com 1.311 unidades vendidas e 9,0% de participação. A marca romena tem vindo a ganhar quota de mercado com a sua política de preços agressiva e a expansão da sua gama de veículos elétricos, como o Dacia Spring.
A Toyota ocupa a terceira posição, com 1.192 unidades comercializadas e 8,2% do mercado. A marca japonesa destaca-se pela sua expertise em tecnologia híbrida, oferecendo modelos eficientes e fiáveis que respondem às necessidades dos consumidores portugueses.
O grande plano da Mercedes-Benz para 2026: 18 novos modelos e a eletrificação total
Enquanto os modelos compactos dominam o ranking de vendas, o setor automóvel premium prepara uma revolução em 2026. A Mercedes-Benz Cars planeia o seu “maior lançamento na história”, com a introdução de 18 novos modelos, visando inverter a tendência de quebra nas vendas.
Este ambicioso plano inclui uma gama diversificada de veículos a gasolina, gasóleo e elétricos, todos partilhando uma linguagem de design comum. O objetivo é renovar a oferta de forma agressiva e reconquistar quota de mercado num cenário cada vez mais competitivo.
Dois dos novos modelos já foram revelados: o CLA Shooting Brake nas variantes de combustão e elétrica, e o GLB elétrico. Os restantes lançamentos incluirão:
Modelos de entrada: Um novo modelo a gasolina e dois sucessores elétricos do GLA e GLB.
Gama “Core”: Atualizações do Classe C e Classe E, com versões elétricas.
Topo de gama: Quatro novas propostas a gasolina ou gasóleo, e cinco elétricos, incluindo versões atualizadas do Classe S e do EQS.
O renascimento do Classe S: investimento sem precedentes em motores de combustão
Um dos destaques do plano da Mercedes-Benz é o Classe S, que receberá uma “mudança profunda”. O CEO Ola Källenius revelou que a marca investiu “muito mais na renovação do Classe S com o motor de combustão do que é habitual numa atualização”. Este investimento reforça a aposta em tecnologias híbridas e na otimização dos motores a combustão, mesmo num contexto de eletrificação.
Para além de 2026: a visão de longo prazo da Mercedes-Benz
A Mercedes-Benz não se limita a 2026. Até 2027, a marca planeia reforçar a sua gama com oito veículos novos a combustão e seis elétricos. Entre eles, estarão as versões elétricas do GLA e GLB, e um novo todo-o-terreno compacto, informalmente conhecido como “Pequeno G”, que visa alargar a família G com modelos mais acessíveis.
A redefinição da Mercedes-AMG: eletrificação e novos motores
A divisão de alta performance, Mercedes-AMG, também está a preparar novidades significativas. A marca está a desenvolver uma super berlina elétrica, já revelada através do concept GT XX, e um SUV de elevadas prestações construído a partir da mesma arquitetura.
Além disso, um novo motor de combustão de alta cilindrada está em desenvolvimento, com uma vida útil prevista para além de 2030. Este motor deverá equipar as versões mais potentes dos modelos AMG, garantindo performance e performance mesmo na era elétrica.
No entanto, nem tudo são boas notícias para os entusiastas da marca. O C63 não deverá regressar com motor de oito cilindros, uma decisão já confirmada pela AMG. A continuidade do C43 está em dúvida, com rumores a sugerir que ambos os modelos poderão ser transformados no C53 de seis cilindros.
A busca por uma nova identidade de design
A estética é outra área que está a ser repensada em Estugarda. A Mercedes-Benz poderá abandonar a estética ultra-aerodinâmica que definiu a gama EQ, num reconhecimento de que o visual distinto não se traduziu nas vendas esperadas.
Os modelos de combustão e elétricos deverão adotar uma linguagem de design mais convencional, aproximando-se da estética dos modelos tradicionais da marca. Esta mudança visa simplificar a oferta e evitar a confusão entre as diferentes gamas.
O futuro do mercado automóvel português: desafios e oportunidades
O ano de 2026 apresenta um cenário complexo para o mercado automóvel português. A quebra nas vendas reflete uma conjuntura económica desafiadora, mas também uma transformação tecnológica que está a redefinir as prioridades dos consumidores.
A eletrificação é uma tendência irreversível, mas a sua adoção ainda enfrenta barreiras, como o preço dos veículos elétricos e a infraestrutura de carregamento. A Mercedes-Benz, com o seu ambicioso plano de lançamentos, pretende acelerar esta transição, oferecendo opções para todos os segmentos e necessidades.
Os modelos compactos e acessíveis, como o Dacia Sandero, continuam a dominar as vendas, demonstrando que o preço ainda é um fator decisivo para a maioria dos consumidores. No entanto, a crescente oferta de veículos eletrificados e a evolução tecnológica poderão alterar este cenário nos próximos anos.
A competição no mercado premium intensifica-se, com a Mercedes-Benz a apostar numa renovação agressiva para manter a sua liderança. As marcas alemãs, como a BMW e a Audi, também estão a preparar lançamentos importantes, criando um ambiente de inovação e competitividade que beneficiará os consumidores.
O futuro do mercado automóvel português será moldado pela capacidade das marcas em oferecer produtos que respondam às necessidades de um mercado em transformação. A eletrificação, a conectividade e a sustentabilidade serão os pilares da próxima geração de veículos, e as empresas que melhor se adaptarem a esta nova realidade serão as que terão sucesso.
A nossa análise como especialistas do setor
Com 10 anos de experiência no mercado automóvel, testemunhamos uma evolução sem precedentes nos últimos anos. A transição para a eletrificação, as mudanças nas preferências dos consumidores e a crescente importância da tecnologia redefiniram as regras do jogo.
O plano da Mercedes-Benz para 2026 é um reflexo desta transformação. A introdução de 18 novos modelos demonstra a confiança da marca no futuro e a sua determinação em liderar a transição para a mobilidade elétrica. No entanto, a decisão de investir em motores de combustão também revela uma abordagem pragmática, reconhecendo que a eletrificação total ainda levará tempo a consolidar-se.
A nossa análise sugere que o mercado português acompanhará esta tendência, mas com um ritmo diferente. A adoção de veículos elétricos será gradual, impulsionada por incentivos governamentais e pela evolução da infraestrutura de carregamento.
Os modelos compactos e acessíveis continuarão a dominar as vendas no curto prazo, mas a oferta de veículos elétricos irá crescer exponencialmente nos próximos anos. As marcas que conseguirem oferecer produtos que combinem preço, tecnologia e sustentabilidade serão as que terão sucesso.
A