
O mercado automóvel português encerra o primeiro trimestre de 2026 com um saldo positivo, assinalado por um crescimento de 9,4% nas matrículas de ligeiros de passageiros. Este dinamismo inicial do ano reflete uma recuperação sustentada e um mercado em plena reconfiguração, onde as preferências dos consumidores se deslocam para novas tendências de eletrificação e eficiência.
Neste contexto de crescimento, a liderança do mercado tem sido disputada por marcas que apostam forte na renovação das suas gamas e na resposta às exigências de um consumidor cada vez mais informado e exigente. A Peugeot, consolidada como uma das marcas de referência em Portugal, mantém a sua hegemonia, dominando não só o ranking das marcas mais vendidas, mas também o top dos modelos mais procurados.
O Peugeot 2008 sagrou-se como o grande destaque do primeiro trimestre de 2026, registando um volume de 2.480 unidades comercializadas. Este resultado representa um crescimento expressivo de 4,3% face ao mesmo período do ano anterior, consolidando a posição do SUV compacto no topo das preferências nacionais. O 2008 tem sabido conquistar os consumidores portugueses com a sua combinação de design atraente, tecnologia embarcada e uma oferta de motorizações diversificada, que inclui opções híbridas e elétricas.
Seguindo de perto o líder, o Peugeot 208 mantém-se como uma escolha sólida para os consumidores portugueses, alcançando a segunda posição com 1.793 unidades vendidas. Apesar de uma ligeira quebra de 1,1% face ao ano passado, o utilitário da marca francesa continua a ser um dos pilares do mercado, beneficiando da sua reputação de fiabilidade e da sua versatilidade para o uso urbano e familiar.
O pódio é completado pelo Citroën C3, com 1.736 unidades vendidas, embora registando uma quebra de 3,1% nas vendas. No entanto, o C3 teve um momento de glória em março, quando se posicionou como o carro mais vendido em Portugal, demonstrando a sua capacidade de captar a atenção dos consumidores em meses específicos. Este resultado sublinha a força do grupo Stellantis no mercado nacional, que detém a liderança através dos seus modelos mais emblemáticos.
A tabela dos modelos mais vendidos revela uma dinâmica interessante no mercado, com algumas surpresas e tendências que merecem destaque. O Nissan Qashqai surpreende pela positiva, ascendendo à quarta posição com 1.586 unidades vendidas, um crescimento impressionante de 44,7% face ao ano anterior. Este resultado demonstra a forte procura por SUVs compactos, um segmento em franca expansão em Portugal.
O Opel Corsa também se destaca com um crescimento robusto de 30,5%, alcançando a quinta posição com 1.462 unidades comercializadas. O utilitário alemão tem sabido adaptar-se às novas exigências do mercado, oferecendo uma proposta equilibrada entre preço, performance e tecnologia.
Por outro lado, o Nissan Juke regista uma quebra significativa de 16,48%, caindo para a sexta posição com 1.429 unidades vendidas. Este resultado pode ser explicado por uma concorrência cada vez mais acirrada no segmento dos crossovers compactos, onde novos modelos têm vindo a conquistar quota de mercado.
O Tesla Model 3, apesar de uma quebra de 14,99%, continua a ser uma referência no mercado de elétricos, ocupando a sétima posição com 1.429 unidades vendidas. Este desempenho contrasta com o seu congénere, o Tesla Model Y, que protagoniza uma das subidas mais impressionantes do trimestre, registando um crescimento exponencial de 181,58% e alcançando a décima posição com 1.284 unidades vendidas. Esta inversão de tendência pode ser atribuída à maior disponibilidade de stock e a uma política de preços mais competitiva por parte da Tesla.
O Mercedes-Benz Classe A também mostra um crescimento notável de 26,41%, posicionando-se em oitavo lugar com 1.321 unidades vendidas. Este resultado demonstra a procura contínua por modelos premium que ofereçam tecnologia avançada e uma experiência de condução diferenciada.
O Dacia Sandero, um dos modelos mais populares do mercado português nos últimos anos, regista uma quebra de 33,13%, caindo para a nona posição com 1.304 unidades vendidas. Esta descida pode estar relacionada com o envelhecimento da geração atual e com a crescente concorrência de novos modelos mais acessíveis.
A tabela continua a revelar tendências interessantes, com o SEAT Ibiza a registar um crescimento expressivo de 70,66%, alcançando a décima segunda posição com 1.140 unidades vendidas. Esta performance positiva pode ser atribuída à recente renovação do modelo, que lhe conferiu um design mais moderno e tecnologias atualizadas.
O Renault Clio, que foi o carro mais vendido em 2025, protagoniza a maior queda do trimestre, caindo para a décima primeira posição com 1.198 unidades vendidas, uma descida de 49,32%. Esta performance negativa poderá ser revertida nos próximos meses, à medida que a entrega da nova geração se normaliza e chega a mais consumidores.
O Renault Captur também regista uma tendência negativa, caindo para a décima sétima posição com 937 unidades vendidas e uma quebra de 34,57%. Este resultado reflete a crescente concorrência no segmento dos SUV compactos, onde modelos mais recentes têm vindo a ganhar quota de mercado.
Os modelos da MG continuam a surpreender pela sua ascensão meteórica no mercado português. O MG ZS, um SUV híbrido, regista um crescimento impressionante de 217,61%, alcançando a décima oitava posição com 902 unidades vendidas. Este resultado demonstra a crescente procura por veículos com motorizações híbridas e uma relação qualidade-preço atrativa.
O MG3, um utilitário híbrido, protagoniza um crescimento ainda mais expressivo de 442,65%, posicionando-se em vigésimo segundo lugar com 738 unidades vendidas. Este desempenho notável sublinha a capacidade da MG de conquistar novos segmentos de mercado com modelos inovadores e acessíveis.
O MG HS, um SUV híbrido plug-in, também regista um crescimento significativo de 99,51%, alcançando a quadragésima primeira posição com 411 unidades vendidas. Esta tendência demonstra a crescente procura por veículos elétricos com maior autonomia e capacidade de carregamento em casa.
Outros modelos que merecem destaque pelo seu desempenho positivo são o BMW X1 (+54,04%), o Volvo EX30 (+63,45%), o Hyundai i20 (+67,92%), o Mercedes-Benz CLA (+71,07%) e o SEAT Ibiza (+70,66%). Estes resultados demonstram a procura por veículos premium e elétricos que ofereçam tecnologia avançada e uma experiência de condução diferenciada.
No que diz respeito a novas entradas no ranking dos 50 carros mais vendidos, destacam-se o Citroën C3 Aircross (14º lugar, com 1.038 unidades), o Opel Frontera (31º lugar, com 564 unidades), o FIAT Grande Panda (44º lugar, com 389 unidades) e o Dacia Bigster (47º lugar, com 359 unidades). Estes modelos representam novas apostas das marcas no mercado português, com diferentes propostas que vão desde SUVs compactos a veículos elétricos e híbridos.
Olhando para as marcas mais vendidas em Portugal no primeiro trimestre de 2026, a Peugeot mantém a liderança com uma quota de mercado de 13,3%, seguida pela Renault com 9,6% e pela Citroën com 8,2%. A Volkswagen posiciona-se em quarto lugar com 7,5%, enquanto a Mercedes-Benz ocupa a quinta posição com 6,7%.
A Tesla continua a crescer no mercado português, alcançando a sexta posição com 6,3% de quota de mercado, seguida pela Dacia com 5,5% e pela Opel com 5,4%. A BMW fecha o top 10 das marcas mais vendidas com 4,9% de quota de mercado.
As tendências observadas no primeiro trimestre de 2026 indicam uma consolidação do mercado de elétricos e híbridos, com um crescimento significativo em modelos como o Tesla Model Y, o MG ZS e o MG3. Esta tendência deverá continuar nos próximos anos, à medida que os fabricantes lancam novos modelos elétricos e híbridos, e que a infraestrutura de carregamento se expande pelo território nacional.
A crescente preocupação com a sustentabilidade e a redução das emissões de CO2 continua a impulsionar a procura por veículos elétricos e híbridos em Portugal. Este movimento é também incentivado por políticas governamentais que oferecem incentivos fiscais e benefícios de circulação para veículos de baixa emissão.
A segmentação do mercado também revela mudanças significativas, com os SUVs e crossovers a consolidarem a sua posição como a tipologia de carroçaria mais procurada