
Ranking Automóvel Portugal 2025: Dacia Sandero Lidera e Mercado Regista Queda Histórica
O mercado automóvel português iniciou o ano de 2025 sob pressão. Em janeiro, foram matriculadas 15.504 novas viaturas, um número que representa uma quebra acentuada de 7,8% face ao mesmo período de 2024. Este recuo reflete um ambiente económico incerto e uma transição energética que ainda enfrenta barreiras de custo para o consumidor final. No topo da tabela de vendas, o Dacia Sandero consolidou a sua posição de líder, demonstrando a crescente procura por soluções acessíveis e pragmáticas.
Com 616 unidades comercializadas, o Sandero assegurou 4% de quota de mercado, superando rivais estabelecidos. Este sucesso é reflexo de uma estratégia focada no custo-benefício, algo que ressoa fortemente num mercado onde a preocupação com o orçamento é prioridade. O design renovado e a oferta de versões bifuel (GPL) continuam a ser trunfos decisivos para este modelo de entrada.
A apenas algumas unidades de distância, o Nissan Juke conquistou a segunda posição com 482 vendas e 3,3% do mercado. O crossover nipónico beneficia de uma imagem moderna e de opções híbridas eficientes, atraindo um público que procura estilo sem abdicar da economia de consumo. O pódio é fechado pelo Peugeot 2008, que registou 421 matriculações e 2,9% de quota, mantendo-se como uma referência no segmento dos SUV compactos.
As Marcas em Destaque: Peugeot Lidera e Dacia Segue de Perto
Analisando o desempenho das marcas, a Peugeot reafirma a sua hegemonia no mercado português. Com 1.420 unidades vendidas em janeiro, a marca francesa detém 9,8% do mercado. Este domínio é sustentado por uma gama diversificada que abrange desde utilitários a SUV, incluindo a crescente oferta eletrificada.
A Dacia confirma a sua ascensão meteórica, posicionando-se confortavelmente na segunda posição com 1.311 vendas e 9,0% de quota. A marca do grupo Renault continua a capitalizar a sua proposta de valor imbatível, atraindo consumidores que procuram a máxima eficiência pelo menor investimento.
A fechar o top 3 das marcas, a Toyota regista um desempenho sólido com 1.192 viaturas comercializadas e 8,2% de participação. O construtor japonês beneficia da sua reputação de fiabilidade e da forte presença no mercado de híbridos, um segmento em clara expansão em Portugal.
Este cenário inicial de 2025 sugere uma continuação da tendência observada nos últimos anos: a consolidação das marcas generalistas com forte componente de custo-benefício e a pressão sobre as marcas premium, que lutam para justificar os preços mais elevados num contexto de incerteza económica.
O Gigante Alemão Prepara a Reviravolta: Mercedes-Benz Lança 18 Modelos em 2026
Enquanto o mercado generalista debate-se com a queda nas vendas, o segmento premium prepara uma ofensiva sem precedentes. A Mercedes-Benz Cars anunciou o seu “maior programa de lançamento da história”, com a introdução de 18 novos modelos em 2026. Esta estratégia ambiciosa visa inverter a tendência de quebra registada nos últimos anos e recuperar quota de mercado face aos rivais alemães.
Após um recuo de 3% em 2024 e uma nova diminuição de 6,2% no primeiro semestre de 2025, a marca de Estugarda está a apostar numa renovação agressiva da sua gama. A ofensiva incluirá propostas em todas as motorizações: gasolina, diesel e elétricas. Esta abordagem multi-energia é uma resposta direta à complexidade do mercado atual, onde nem todos os consumidores estão prontos para a transição elétrica pura, especialmente em Portugal.
A Estratégia por Segmentos: Do Acesso ao Topo da Gama
A renovação da Mercedes-Benz abrange todos os segmentos do mercado, desde os modelos de entrada até aos luxuosos topo de gama. Nos segmentos mais acessíveis, a marca lançará um novo modelo a gasolina e dois sucessores elétricos para os modelos GLA e GLB. Este último reforço no segmento dos SUV compactos é crucial, pois é uma das categorias mais procuradas pelos consumidores portugueses.
Os modelos Classe C e Classe E, pilares da gama Mercedes-Benz, serão regroupados na categoria “Core”. Esta redefinição estratégica permitirá uma simplificação da oferta e um foco maior na qualidade percebida. Ambos os modelos receberão atualizações significativas e espera-se que contem com versões elétricas mais competitivas, essenciais para combater a crescente concorrência chinesa no mercado europeu.
No topo da gama, a Mercedes-Benz prepara quatro novas propostas a gasolina ou diesel, para além de cinco novos elétricos. Entre estes últimos, destacam-se as versões atualizadas do Classe S e do EQS. Esta aposta no topo de gama é uma tentativa de reafirmar a liderança da marca em termos de luxo e inovação tecnológica, segmentos onde a concorrência (BMW e Audi) é feroz.
O Reinado do Classe S: Uma Revisão Profunda
O Classe S, ainda considerado o epítome do luxo automóvel, receberá aquilo que o CEO Ola Källenius descreve como uma “mudança profunda”. “Investimos muito mais na renovação do Classe S com o motor de combustão do que é habitual numa atualização”, afirmou Källenius. Esta decisão de reforçar os motores de combustão, mesmo num contexto de eletrificação, é um movimento arriscado mas calculado.
Esta estratégia responde diretamente às necessidades do mercado premium global, onde os clientes exigem o máximo de luxo e conforto, independentemente da motorização. Em Portugal, onde a infraestrutura de carregamento ainda é uma barreira, a manutenção de opções a diesel e gasolina é fundamental para garantir vendas consistentes. A Mercedes-Benz pretende assim mostrar que o luxo não é sinónimo de eletrificação forçada.
Visão de Longo Prazo: Para Além de 2026
A Mercedes-Benz não está apenas focada em 2026. Até 2027, a marca planeia reforçar a sua oferta com oito novos veículos a combustão e seis elétricos. Entre estes, destacam-se as versões elétricas do GLA e GLB, confirmando a prioridade dada a estes segmentos.
Mas a grande novidade será um novo todo-o-terreno compacto, informalmente designado como “Pequeno G”. Este modelo pretende alargar a mítica gama G, oferecendo uma opção mais acessível e compacta. Num mercado onde o G-Class é um ícone, esta estratégia poderá atrair uma nova geração de clientes que desejam o prestígio da marca com um formato mais versátil e urbano.
Mercedes-AMG: A Revolução Elétrica e a Despedida do V8
A divisão de alta performance, Mercedes-AMG, também está no centro desta transformação. A marca prepara uma super berlina elétrica, já revelada através do concept GT XX, e um SUV de elevadas prestações construído a partir da mesma arquitetura. Esta aposta na eletrificação total para o futuro da AMG demonstra a determinação da marca em liderar o segmento de performance elétrica.
Simultaneamente, um novo motor de combustão de alta cilindrada está em desenvolvimento, com uma vida útil que se prevê estender para além de 2030. Esta dualidade entre eletrificação e combustão é a marca da estratégia da AMG: oferecer o máximo de performance em todas as frentes.
No entanto, nem todas as notícias são positivas. A continuidade do C63 com motor V8 está fora de questão, já tendo sido confirmada pela AMG. A situação do C43 é incerta, com rumores que sugerem que ambos os modelos poderão ser transformados num único C53 de seis cilindros. Esta mudança poderá ser dolorosa para os puristas, mas é um passo necessário para cumprir as regulamentações de emissões e alinhar a gama com a eletrificação progressiva da marca.
Redesenho da Identidade Visual: Para Além da Aerodinâmica
O design é outra área que está a ser repensada em Estugarda. A Mercedes-Benz poderá abandonar a estética ultra-aerodinâmica que caracterizou a gama EQ elétrica. Esta mudança é um reconhecimento de que um visual distinto nem sempre se traduziu na tração de mercado esperada. Os modelos de combustão e elétricos deverão adotar uma linguagem de design mais convencional.
Esta decisão é crucial para o mercado português, onde os consumidores valorizam o design tradicional e reconhecível. A estratégia anterior, focada em criar uma identidade visual separada para os elétricos, poderá ter contribuído para a confusão e para a hesitação dos compradores. Ao adotar uma linguagem de design mais