
O panorama do mercado automóvel português em 2025: liderança da Peugeot e ascensão meteórica da Renault 5 E-Tech
O mercado automóvel em Portugal encerrou o ano de 2025 com um crescimento notável de 6,2% face ao período homólogo, totalizando 264.821 veículos matriculados. Este desempenho robusto, impulsionado sobretudo pela categoria de ligeiros de passageiros, confirma a resiliência do setor, apesar dos desafios económicos globais e das transições tecnológicas em curso. Ao analisarmos os dados compilados pela ACAP (Associação Automóvel de Portugal), emerge um quadro dinâmico onde a hegemonia histórica da Peugeot é posta à prova por uma concorrência cada vez mais acirrada, e onde novos atores, como o elétrico Renault 5 E-Tech, redefinem as tendências de consumo.
Análise do desempenho setorial: ligeiros de passageiros lideram o crescimento
A categoria de ligeiros de passageiros foi, sem surpresa, a espinha dorsal deste crescimento, registando 225.039 unidades vendidas e um aumento expressivo de 7,3%. Este segmento, que representa a esmagadora maioria das vendas, reflete diretamente a saúde económica das famílias portuguesas e a sua confiança no investimento em mobilidade pessoal. O dinamismo verificado é um forte indicativo de uma recuperação percetível no poder de compra e na procura por veículos novos, contrastando com anos anteriores mais conturbados.
Em contrapartida, os ligeiros de mercadorias apresentaram uma estabilidade preocupante, com 32.301 veículos comercializados, não apresentando variação percentual face a 2024. Este cenário pode ser interpretado como um reflexo da cautela empresarial no investimento em frotas, ou da saturação do mercado em certos segmentos. No segmento dos veículos pesados, verificou-se um crescimento modesto de 3,2%, totalizando 7.481 unidades matriculadas. Embora positivo, este aumento não tem o mesmo impacto quantitativo do crescimento verificado nos veículos ligeiros, mas sinaliza uma recuperação gradual no setor de transporte e logística.
Peugeot consolida liderança, mas Renault surge como ameaça real em 2026
A Peugeot reafirmou a sua posição como marca líder do mercado português, completando cinco anos consecutivos de domínio ininterrupto. Com 21.664 unidades vendidas, a marca francesa alcançou uma quota de mercado de 9,63%, consolidando uma perceção de confiança e qualidade junto dos consumidores. Modelos como o Peugeot 2008, o 3008 e o 208 continuam a ser pilares fundamentais desta liderança, respondendo eficazmente às necessidades de diferentes segmentos de mercado, desde o familiar ao citadino. No entanto, é crucial notar que o crescimento da Peugeot foi marginal, situando-se nos 0,2%, o que sugere uma possível estagnação ou saturação da sua quota de mercado atual.
É neste contexto que a Renault emerge como o principal desafiante. A marca francesa registou uma subida impressionante de 19,7%, totalizando 18.099 veículos vendidos. Este crescimento substancial, significativamente superior ao registado pela Peugeot, sugere uma mudança de paradigma no mercado. A Renault conseguiu inverter a tendência de crescimento modesto e posicionou-se de forma agressiva, capitalizando tanto em modelos estabelecidos como em inovações disruptivas, como veremos mais adiante. A pergunta que paira no ar é: será 2026 o ano em que a Renault finalmente destronará a Peugeot da liderança?
Mercedes-Benz mantém-se no pódio, enquanto Dacia surpreende pela positiva
A Mercedes-Benz garantiu a terceira posição no pódio, com 17.736 ligeiros de passageiros vendidos, o que representa um crescimento de 6,5% face ao ano anterior. A marca premium alemã demonstrou uma notável capacidade de adaptação às novas tendências do mercado, combinando a tradição de luxo e qualidade com a introdução de novas tecnologias, incluindo modelos elétricos. A sua presença constante no topo, juntamente com Peugeot e Renault, forma um trio de marcas que domina o mercado português há vários anos.
A Dacia, por sua vez, consolidou a sua posição no mercado, alcançando a quarta posição com 17.442 unidades vendidas e um crescimento de 7,6%. Este desempenho confirma a estratégia bem-sucedida da marca em oferecer veículos com uma excelente relação qualidade-preço, respondendo a um mercado sensível a custos, mas que não dispensa fiabilidade. O sucesso de modelos como o Dacia Duster e o Sandero demonstra que a fórmula da marca é cada vez mais apelativa para um leque alargado de consumidores portugueses.
BMW e Volkswagen: crescimento sólido num mercado competitivo
A BMW posicionou-se em quinto lugar, com 14.075 unidades vendidas e um crescimento de 4,9%. A marca alemã continua a beneficiar da sua imagem premium e da fidelidade dos seus clientes, que valorizam a performance e o design inovador dos seus modelos. Num mercado cada vez mais concorrencial, a capacidade da BMW de manter um crescimento consistente é um testemunho da sua força e relevância.
A Volkswagen destacou-se pelo seu crescimento de 9,3%, o segundo melhor registo entre as dez marcas mais vendidas. Com 12.831 unidades comercializadas, a marca beneficiou significativamente da introdução de novos modelos, incluindo a nova geração do T-Roc, produzido localmente em Palmela. Esta produção nacional não só reforça a economia local, mas também permite à Volkswagen responder de forma mais ágil às exigências do mercado português, oferecendo prazos de entrega mais curtos e preços potencialmente mais competitivos.
Toyota e Citroën: desafios e adaptações num cenário de mudança
A Toyota, tradicionalmente um dos players mais fortes do mercado, registou uma ligeira quebra de 0,7%, com 11.427 unidades vendidas. Esta flutuação, embora mínima, pode indicar uma fase de transição para a marca japonesa, que precisa de inovar para manter a sua competitividade face ao crescimento das marcas europeias, especialmente no segmento de elétricos.
A Citroën, por sua vez, enfrentou um desafio ainda maior, com uma queda de 1,1% nas vendas, totalizando 9.525 veículos. No entanto, a situação da marca parece estar a melhorar. A resolução dos problemas de produção que afetaram o Citroën C3 deverá permitir uma recuperação significativa em 2026. Este modelo, que historicamente tem sido um dos mais vendidos da marca, tem um potencial considerável para impulsionar as vendas da Citroën no próximo ano, caso a produção seja normalizada e a procura responda positivamente.
O inesperado sucesso do Renault 5 E-Tech: um elétrico disruptivo
Para além das tendências gerais do mercado, o destaque individual do ano foi, sem dúvida, o Renault 5 E-Tech. Este modelo elétrico não só se tornou um dos carros mais vendidos de 2025, como também registou um crescimento exponencial de 560%, com 363 unidades vendidas. Este desempenho meteórico posiciona o R5 E-Tech como um verdadeiro “game-changer” no mercado português, demonstrando que existe uma procura crescente por veículos elétricos que combinem estilo, performance e um preço mais acessível.
Este sucesso não é um acaso. O Renault 5 E-Tech recupera o design icónico do modelo original, adaptando-o a uma estética moderna e atraente. A sua autonomia competitiva e as tecnologias inovadoras, incluindo carregamento ultrarrápido e sistemas de infotainment avançados, tornam-no uma opção viável e desejável para os consumidores portugueses que ponderam a transição para a mobilidade elétrica. O seu desempenho em 2025 pode muito bem ter estabelecido as bases para uma liderança de mercado nos próximos anos, desafiando os modelos mais estabelecidos de outras marcas.
Top 10 modelos mais vendidos em Portugal em 2025: Peugeot 2008 lidera, mas Clio fecha com força
Ao analisarmos os 10 modelos mais vendidos em Portugal ao longo de 2025, emerge um quadro detalhado da preferência dos consumidores:
Peugeot 2008 – 7.097 unidades (+6,3%): O SUV compacto da Peugeot mantém a sua liderança, beneficiando da combinação de design atraente, espaço interior e eficiência.
Renault Clio – 6.539 unidades (+11,6%): O Clio demonstra uma força notável, com um crescimento robusto que ameaça a liderança do 2008.
Dacia Sandero – 6.053 unidades (-15%): Apesar de uma quebra percentual, o Sandero continua a ser um dos modelos mais acessíveis e populares do mercado.
Dacia Duster – 5.430 unidades (+54,8%): O Duster regista um crescimento impressionante, impulsionado pela sua robustez e versatilidade.
Citroën C3 – 5.226 unidades (+21,1%): O C3 beneficia de uma forte procura, sinal