
Os carros mais vendidos em Portugal em 2025: O panorama completo do mercado
O ano de 2025 consolidou um mercado automóvel dinâmico em Portugal, marcado por mudanças significativas nas preferências dos consumidores, pela ascensão de novas tecnologias e por um crescimento que desafiou as expectativas. Com os dados consolidados da ACAP (Associação Automóvel de Portugal), é possível traçar um retrato fiel das tendências que moldaram o setor nos últimos doze meses. O mercado revelou uma resiliência notável, com um crescimento total de 6,2% face a 2024, atingindo um volume impressionante de 264.821 veículos novos matriculados. Este desempenho positivo foi impulsionado principalmente pelo segmento de ligeiros de passageiros, que registou um aumento de 7,3%, totalizando 225.039 unidades, enquanto os ligeiros de mercadorias e os pesados apresentaram crescimentos mais modestos, de 0% e 3,2%, respetivamente.
No epicentro deste mercado em evolução, um nome destacou-se consistentemente ao longo de 2025: o Renault Clio. Este icónico utilitário francês não só liderou as vendas em vários meses, mas também se sagrou como o modelo mais vendido do ano, confirmando a sua forte conexão com o público português. A sua agilidade, eficiência e design apelativo continuam a ser fatores decisivos para os compradores, mesmo perante uma concorrência cada vez mais diversificada e tecnologicamente avançada. Contudo, a narrativa de 2025 não se resume a um único modelo; é uma tapeçaria complexa de ascensões e quedas, onde marcas estabelecidas enfrentaram novos desafios e onde a eletrificação começou a redefinir o cenário competitivo.
Análise detalhada dos modelos líderes em 2025
O topo da tabela dos modelos mais vendidos em 2025 é dominado por uma mistura interessante de utilitários, SUVs compactos e veículos elétricos inovadores. O Renault Clio, com um total impressionante de 8.242 unidades vendidas, solidificou a sua posição de liderança. Este desempenho foi notável, considerando que parte destas vendas já incluía a nova geração do modelo, que chegou ao mercado com atualizações significativas tanto no design como na tecnologia. O Clio conseguiu manter a sua relevância ao oferecer um equilíbrio perfeito entre preço, desempenho e equipamento, características que ressoam fortemente com as prioridades dos consumidores portugueses.
Em segundo lugar, encontramos o Dacia Sandero, um veículo que se tornou sinónimo de acessibilidade e praticidade. Com 6.053 unidades comercializadas, o Sandero demonstrou que o valor continua a ser um fator decisivo para muitos compradores. A sua robustez e baixo custo de manutenção tornam-no uma escolha lógica para famílias e condutores que procuram uma solução de mobilidade fiável e económica. A sua posição no ranking, apesar de uma ligeira queda de 15% nas vendas em relação a 2024, sublinha a sua popularidade consolidada.
O Dacia Duster, o SUV compacto da marca romena, garantiu a terceira posição com 5.430 unidades vendidas, apresentando um crescimento expressivo de 54,8%. Este aumento significativo reflete a crescente procura por veículos versáteis que combinem capacidade off-road com conforto para o uso diário. O Duster prova que os consumidores valorizam a robustez e o design funcional, mesmo em detrimento de tecnologias de ponta ou marcas premium.
O Peugeot 2008, que liderou o mercado em anos anteriores, manteve-se no topo da preferência dos portugueses, conquistando a quarta posição com 7.097 unidades vendidas e um crescimento de 6,3%. Este SUV compacto continua a ser uma escolha popular, beneficiando da força da marca Peugeot no mercado nacional e da sua capacidade de oferecer um produto que agrada a uma vasta gama de clientes. A sua combinação de estilo moderno, tecnologia e eficiência energética mantém-no competitivo num segmento cada vez mais concorrido.
Outros modelos que se destacaram em 2025 incluem o Citroën C3, que registou um crescimento notável de 21,1% com 5.226 unidades vendidas, o Peugeot 208, que apesar de uma ligeira quebra de 12% continuou a ser uma opção popular com 4.777 unidades, e o Renault Captur, que com 3.885 unidades manteve a sua posição no Top 10 apesar de uma queda de 5,2%. O Tesla Model 3, apesar de uma significativa redução de 34,6% nas vendas (3.747 unidades), continuou a ser o veículo elétrico mais vendido, demonstrando a crescente penetração da mobilidade elétrica no mercado português. O Mercedes-Benz Classe A e o Opel Corsa completam o top 10, evidenciando a diversidade de escolhas disponíveis para os consumidores.
As marcas líderes: domínio e concorrência em 2025
No que diz respeito às marcas, a Peugeot consolidou a sua liderança em 2025, alcançando uma quota de mercado de 9,63% com 21.664 unidades vendidas. Esta marca francesa mantém o primeiro lugar pelo quinto ano consecutivo, um feito notável que demonstra a sua capacidade de adaptação às mudanças do mercado e a fidelidade dos seus clientes. A força da Peugeot reside na sua gama diversificada, que inclui modelos populares como o 2008, o 208 e o 3008, oferecendo opções que apelam a diferentes segmentos de mercado.
A Renault emergiu como a principal concorrente da Peugeot, registando um crescimento impressionante de 19,7% e totalizando 18.099 unidades vendidas. Esta subida significativa sugere uma aproximação cada vez maior entre as duas marcas, prometendo uma disputa ainda mais acirrada em 2026. O sucesso da Renault deve-se em grande parte ao desempenho do Clio e do Captur, bem como ao crescente interesse em modelos elétricos como o Renault 5 E-Tech, que teve um crescimento notável de 560% ao longo do ano.
A Mercedes-Benz garantiu a terceira posição no pódio com 17.736 unidades vendidas e um crescimento de 6,5%, mantendo a sua forte presença no segmento premium. A marca alemã beneficiou da sua reputação de excelência em engenharia, design e tecnologia, atraindo consumidores que procuram qualidade e prestígio.
A Dacia continuou a desafiar as marcas estabelecidas, ficando em quarto lugar com 17.442 unidades vendidas e um crescimento de 7,6%. O seu posicionamento no mercado, que combina preço acessível com qualidade fiável, continua a atrair um número significativo de compradores. A proximidade com a Mercedes-Benz demonstra o potencial de crescimento da Dacia nos próximos anos.
Outras marcas que se destacaram em 2025 incluem a BMW, em quinto lugar com 14.075 unidades (+4,9%), a Volkswagen, que apresentou um crescimento robusto de 9,3% com 12.831 unidades, a Toyota, com 11.427 unidades (-0,7%), a Citroën, com 9.525 unidades (-1,1%), a Nissan, com 7.886 unidades (+3,9%), e a Kia, em décimo lugar com 7.650 unidades (+2%). Estas marcas demonstram a diversidade e competitividade do mercado português, com uma mistura de fabricantes europeus, asiáticos e americanos a disputarem a preferência dos consumidores.
Tendências emergentes e previsões para 2026
Olhando para 2026, várias tendências emergentes sugerem que o mercado automóvel português continuará a evoluir de forma significativa. A eletrificação é, sem dúvida, a tendência mais marcante, com um número crescente de consumidores a considerar veículos elétricos como sua próxima opção de compra. A expansão da infraestrutura de carregamento e a introdução de novos modelos elétricos com preços mais competitivos deverão acelerar esta transição. A concorrência entre fabricantes de veículos elétricos, tanto estabelecidos como novos entrantes, deverá intensificar-se, resultando em mais inovação e melhores ofertas para os consumidores.
A tecnologia automóvel continuará a desempenhar um papel crucial na diferenciação dos produtos, com funcionalidades como condução autónoma, conectividade avançada e sistemas de assistência ao condutor a tornarem-se cada vez mais comuns. As marcas que conseguirem integrar estas tecnologias de forma eficaz e acessível terão uma vantagem competitiva significativa.
A crescente importância dos serviços de mobilidade também deverá moldar o mercado, com soluções como carsharing, subscriptions e mobilidade como serviço (MaaS) a ganharem popularidade, especialmente em áreas urbanas. Estas tendências poderão alterar a forma como os consumidores pensam sobre propriedade de veículos, com uma ênfase crescente no acesso versus posse.
Do ponto de vista da produção, a produção local continua a ser um fator importante para o mercado português, com a fábrica da Volkswagen em Palmela a desempenhar um papel crucial na economia nacional. A capacidade de produzir modelos competitivos localmente pode oferecer vantagens em termos