
As Vendas de Automóveis em Portugal em 2025: Tendências, Destaques e Perspetivas para 2026
O mercado automóvel português continua a ser um barómetro fascinante das mudanças económicas, tecnológicas e sociais que afetam o país. Em janeiro de 2025, o setor registou um total de 15.504 unidades comercializadas, um número que, apesar de significativo, representa uma ligeira contração de 7,8% face ao mesmo período do ano anterior. Este recuo, embora notório, não apaga o dinamismo do mercado nem as profundas transformações que se avizinham, especialmente com a chegada de 2026, um ano que promete ser de viragem para muitas marcas.
Neste contexto de reajuste e antecipação, a análise detalhada dos modelos e marcas mais vendidos em Portugal revela não apenas as preferências imediatas dos consumidores, mas também as estratégias de longo prazo das construtoras. O Dacia Sandero mantém a sua posição de liderança incontestável, consolidando uma quota de mercado de 4% com 616 unidades vendidas. Este sucesso é um testemunho da estratégia da Dacia, que privilegia a relação custo-benefício e a fiabilidade, apelando a um público que valoriza a racionalidade acima do luxo ostentoso.
O Top 50: Destaques do Mercado Português em 2025
Acompanhando o líder, o Nissan Juke assegura a segunda posição com 482 unidades comercializadas, detendo 3,3% do mercado. Este modelo híbrido tem vindo a conquistar os consumidores com o seu design arrojado e a sua eficiência energética, refletindo a crescente procura por soluções de mobilidade mais sustentáveis. Em terceiro lugar, o Peugeot 2008 mantém-se firme com 421 unidades emplacadas e uma participação de mercado de 2,9%. O SUV compacto francês continua a ser uma escolha popular, beneficiando da reputação de qualidade e inovação da marca.
O ranking das 50 marcas mais vendidas em Portugal, que se segue a estes destaques iniciais, revela um mercado diversificado, onde a concorrência é acérrima. A Peugeot, em particular, demonstra uma força notável, liderando o ranking de marcas com 1.420 unidades vendidas em janeiro de 2025 e uma quota de mercado de 9,8%. Esta liderança é o resultado de uma estratégia comercial agressiva e de uma gama de produtos que responde às diversas necessidades dos consumidores portugueses.
A Dacia consolida a sua segunda posição com 1.311 unidades vendidas e 9,0% de participação, enquanto a Toyota surge em terceiro lugar com 1.192 unidades comercializadas e 8,2% do mercado. Este trio de líderes ilustra as tendências dominantes no mercado português: a procura por veículos acessíveis e fiáveis, a ascensão dos híbridos e a contínua relevância das marcas estabelecidas.
2026: A Era da Transformação para a Mercedes-Benz
Enquanto o mercado de 2025 desenha o seu panorama atual, as construtoras já olham para 2026 com ambição e determinação. A Mercedes-Benz Cars planeia o que descreve como o seu “maior lançamento na história”, com o lançamento de 18 novos modelos ao longo do ano. Esta ofensiva sem precedentes visa inverter a tendência de quebra das vendas que a marca tem vindo a registar nos últimos anos.
Após um recuo de 3% nas entregas em 2024 e uma nova diminuição de 6,2% no primeiro semestre de 2025, a gigante alemã está a apostar numa renovação completa da sua gama. A estratégia inclui uma oferta diversificada, abrangendo modelos a gasolina, a gasóleo e elétricos, todos unidos por uma linguagem de design comum. Esta abordagem integrada é uma resposta direta às complexidades do mercado atual, onde os consumidores procuram flexibilidade e opções que se adequem às suas necessidades específicas e à evolução da infraestrutura de carregamento.
A Nova Geração de Veículos Mercedes-Benz
Dois dos novos modelos já foram revelados – o CLA Shooting Brake nas suas variantes de combustão e elétrica – enquanto os restantes estão em fase de preparação. No segmento de entrada, a Mercedes-Benz irá introduzir um novo modelo a gasolina e dois sucessores elétricos do GLA e GLB. Esta estratégia de eletrificação nos segmentos de entrada é crucial para a marca, pois permite-lhe competir de forma mais eficaz com as marcas de luxo emergentes e com os fabricantes tradicionais que já possuem uma forte presença nestes segmentos.
Os Classe C e Classe E serão regroupados na categoria “Core”, recebendo atualizações significativas e versões elétricas. Esta reestruturação da gama visa simplificar a oferta e melhorar a experiência do cliente, permitindo-lhes escolher o modelo que melhor se adapta ao seu estilo de vida e necessidades de mobilidade. No topo da gama, haverá ainda mais movimentações, com quatro novas propostas a gasolina ou a gasóleo e cinco novos elétricos, incluindo versões atualizadas do Classe S e do EQS.
O Futuro Elétrico e a Revisão do Classe S
O Classe S, ainda considerado o pináculo do luxo e da inovação da marca de Estugarda, irá receber o que o CEO Ola Källenius descreve como uma “mudança profunda”. “Investimos muito mais na renovação do Classe S com o motor de combustão do que é habitual numa atualização”, afirmou Källenius, sublinhando o compromisso da marca em manter a relevância dos seus modelos tradicionais enquanto transita para a era elétrica. Esta abordagem de “dual-source” permite à Mercedes-Benz atender aos consumidores que ainda não estão prontos para a transição para o elétrico, ao mesmo tempo que investe fortemente no futuro elétrico.
Além de 2026, a Mercedes-Benz já está a olhar para 2027, com planos para reforçar a sua oferta com oito novos veículos a combustão e seis elétricos. Esta estratégia de longo prazo demonstra a confiança da marca na sua capacidade de adaptação e inovação, mesmo num mercado em constante mudança. Entre estes novos modelos estarão as versões elétricas do GLA e GLB, assim como um novo todo-o-terreno compacto informalmente designado como “Pequeno G”. Esta iniciativa visa alargar a icónica gama G a um público mais vasto, oferecendo uma opção mais acessível e compacta do lendário todo-o-terreno.
A Reinvenção da AMG e a Nova Linguagem de Design
A divisão de alta performance, Mercedes-AMG, também está a preparar novidades significativas. A marca está a desenvolver uma super berlina elétrica, já desvendada através do concept GT XX, juntamente com um SUV de elevadas prestações construído a partir da mesma arquitetura. Um novo motor de combustão de alta cilindrada também está em desenvolvimento, cuja vida útil se deverá estender para além de 2030. Esta estratégia mista demonstra o compromisso da AMG em manter a sua herança de performance enquanto abraça a eletrificação.
No entanto, nem tudo são boas notícias para os puristas. O C63 não deverá voltar a ter motor de oito cilindros, uma decisão já confirmada pela AMG. A continuidade do C43 está na dúvida, com rumores de que ambos os modelos poderão ser transformados num C53 de seis cilindros. Estas mudanças refletem a necessidade de a AMG se adaptar às regulamentações ambientais cada vez mais rigorosas e às tendências do mercado, mesmo que isso signifique abandonar alguns dos seus modelos mais icónicos.
A linguagem de design é outra área que está a ser repensada em Estugarda. A marca alemã poderá abandonar a estética ultra-aerodinâmica que definiu a gama EQ, num reconhecimento de que um visual distinto não se traduziu na tração que a marca esperava. Os modelos de combustão e elétricos deverão adotar uma linguagem de design mais convencional, o que poderá ajudar a simplificar a oferta e a tornar os veículos mais apelativos para um público mais vasto. A grande questão que paira no ar é se esta mudança irá conduzir a um aumento das vendas ou simplesmente a diminuir a confusão entre os consumidores.
Conclusão: Um Mercado em Evolução Constante
O mercado automóvel português em 2025 e 2026 apresenta um cenário de transição fascinante. O sucesso contínuo do Dacia Sandero demonstra a importância da relação custo-benefício para os consumidores, enquanto a ascensão dos híbridos, como o Nissan Juke, sinaliza uma crescente preocupação com a eficiência energética. A liderança da Peugeot no ranking de marcas reflete uma estratégia comercial eficaz e uma gama de produtos diversificada.
Olhando para 2026, a ofensiva da Mercedes-Benz Cars com 18 novos modelos é um marco notável na indústria automóvel. Esta estratégia ambiciosa, que abrange desde modelos de entrada até ao topo de gama, demonstra a determinação da marca em recuperar terreno e adaptar-se às novas realidades do mercado. As mudanças na AMG e a redefinição da linguagem de design da marca sublinham a necessidade de inovação constante e de adaptação