
O mercado automóvel em Portugal registou um crescimento notável em Março de 2026, com um total de 26.679 veículos ligeiros de passageiros vendidos. Este número representa um aumento de 8,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Associação Automóvel de Portugal (ACAP). Quando adicionamos as vendas de veículos comerciais ligeiros (2.963 unidades) e pesados (661 unidades), o total de veículos vendidos em Março de 2026 ascende a 30.303 unidades, um incremento de 9,1% face a Março de 2025.
Este dinamismo do mercado em Março impulsionou o desempenho do primeiro trimestre de 2026, que registou a entrega de 64.059 automóveis ligeiros novos aos seus clientes, um crescimento de 9,4% em relação ao ano anterior. No entanto, o desempenho variou entre os diferentes segmentos. Os veículos ligeiros de passageiros mostraram um comportamento positivo, enquanto os veículos comerciais ligeiros registaram uma queda de 3,6% na procura. Em contrapartida, os veículos pesados apresentaram um crescimento expressivo de 45,3%. No total, o mercado atingiu 73.753 unidades, um aumento de 8,8% face a 2025.
No acumulado do primeiro trimestre de 2026, os veículos híbridos (mild hybrid e full hybrid) continuaram a liderar as preferências dos consumidores portugueses, representando 32,4% do mercado nacional. Este sucesso pode ser atribuído ao seu preço mais competitivo e à capacidade de oferecer uma redução significativa no consumo de combustível e nas emissões. A segunda categoria mais procurada foram os veículos elétricos (BEV), que conquistaram 23,6% das vendas, superando os veículos exclusivamente a gasolina. Mesmo com um preço mais baixo, os modelos a gasolina não conseguiram liderar as preferências dos clientes.
Após este trio de motorizações mais populares, os veículos híbridos plug-in (PHEV) ocupam a quarta posição entre os mais comercializados em Portugal. Entre janeiro e março de 2026, os PHEV representaram 13,4% das vendas, ficando a mais de 10% dos veículos elétricos. Os modelos exclusivamente a gasóleo atraíram apenas 4,2% dos compradores, ocupando a última posição.
A ACAP divulgou também a lista dos 50 modelos mais vendidos em Portugal no primeiro trimestre de 2026. O desempenho da Stellantis foi notável, com o Peugeot 2008 a liderar confortavelmente o mercado com 2.480 unidades vendidas. O seu “irmão” da marca, o Peugeot 208, seguiu-se com 1.793 unidades, garantindo os primeiros dois lugares para o construtor francês. O grupo completou o seu domínio com a terceira posição ocupada pelo Citroën C3 (1.736 unidades) e a quinta posição pelo Opel Corsa (1.462 unidades). O quarteto do grupo foi interrompido pelo Nissan Qashqai, que alcançou a quarta posição com 1.586 unidades vendidas.
O construtor japonês Nissan demonstrou um desempenho acima das expectativas, não só com o Qashqai, mas também com o Nissan Juke, que se posicionou em sexto lugar com 1.429 unidades vendidas. O primeiro veículo exclusivamente elétrico a aparecer na lista é o Tesla Model 3, que ocupa a sétima posição com 1.429 unidades, superando o Mercedes Classe A (1.321 unidades) e o Dacia Sandero (1.304 unidades). O top 10 é encerrado por outro modelo da Tesla, o Model Y, com 1.284 unidades vendidas.
O mercado automóvel português registou um crescimento de 6,2% em 2025, comparativamente com o ano anterior, com 264.821 novos veículos a entrarem em circulação. Entre as marcas preferidas dos consumidores destacam-se a Renault, Peugeot, Toyota, Volkswagen, Dacia e Mercedes. No que diz respeito aos modelos mais vendidos em Portugal no último ano, o Renault Clio liderou a tabela com 8.242 unidades vendidas, seguido de perto pelo Peugeot 2008, com 7.463 unidades. O terceiro carro mais vendido foi o Sandero, da Dacia, com 6.670 veículos comercializados.
O quarto modelo mais vendido em 2025 foi o Duster, também da Dacia, cujas vendas totalizaram 5.854 unidades. Fechando o top 5, o Citroën C3 registou 5.428 veículos ligeiros vendidos. Seguiram-se o Peugeot 208 (5.066 unidades vendidas) e o Renault Captur (4.554 unidades). O top dez foi completado pelo Tesla Model 3 (4.372 unidades), Peugeot 308 (4.108 modelos comercializados) e Mercedes-Benz Classe A (3.790 novos registos).
É importante notar que, nesta lista de 2025, além do modelo da Tesla, as vendas incluem versões elétricas dos Peugeot 2008, 208 e 308, e do Citroën C3. Observando o acumulado das vendas de todos os modelos em 2025, a Peugeot foi a marca mais vendida entre os automóveis ligeiros, com 21.664 unidades, o que representa um crescimento homólogo de 0,2%. Segue-se a Renault, com 18.099 novas matrículas (+19,7%), e a Mercedes-Benz, com 17.736 veículos (+6,5%).
A preferência dos portugueses por automóveis novos é influenciada pela disponibilidade financeira dos consumidores e das empresas, que são responsáveis pela maioria dos novos registos de matrículas. Esta preferência nacional apresenta algumas diferenças em relação ao gosto da maioria dos europeus. Na União Europeia, segundo dados da ACEA, o carro mais vendido em 2025 foi o Dacia Sandero, com 243.676 unidades (-9,8%), seguido pelo Renault Clio, com 229.778 unidades (+5,8%), e pelo Volkswagen T-Roc, com 211.241 unidades (+3,8%).
O top 5 europeu foi completado por mais dois modelos da Volkswagen: o Tiguan, com 197 mil unidades (+0,8%), e o Golf, com 195.455 unidades (-9,8%). A lista dos dez carros mais vendidos no espaço económico europeu inclui ainda o Toyota Yaris Cross (190.565 veículos ligeiros, +2,1%), o Peugeot 208 (185.096 unidades, -7,3%), o Peugeot 2008 (171.438 unidades, +5,9%), o Dacia Duster (168.182 unidades, -4,3%) e o Toyota Yaris (165.833 unidades, -8,4%).
As tendências do mercado automóvel em Portugal continuam a ser moldadas por uma combinação de fatores económicos, ambientais e tecnológicos. A transição para a mobilidade elétrica é uma realidade incontornável, com os veículos elétricos a ganharem quota de mercado a um ritmo acelerado. No entanto, os veículos híbridos continuam a desempenhar um papel crucial, oferecendo uma solução de transição para muitos consumidores que ainda não estão prontos para fazer a mudança total para a eletricidade.
A política governamental desempenha um papel fundamental na orientação do mercado, com incentivos à compra de veículos elétricos e infraestruturas de carregamento em expansão. No entanto, a disponibilidade e o custo dos veículos continuam a ser fatores determinantes na decisão de compra dos consumidores. A guerra na Ucrânia e as subsequentes perturbações nas cadeias de abastecimento globais impactaram o mercado automóvel, mas a indústria tem demonstrado resiliência e capacidade de adaptação.
Os veículos elétricos continuam a beneficiar de subsídios governamentais e de um custo operacional mais baixo, o que os torna cada vez mais atrativos para os consumidores. A infraestrutura de carregamento público está em constante expansão, embora ainda existam disparidades regionais. Os preços dos veículos elétricos continuam a ser um obstáculo para muitos compradores, mas espera-se que esta situação melhore à medida que a produção em massa aumenta e a concorrência se intensifica.
Os veículos híbridos plug-in oferecem uma solução de compromisso, permitindo que os condutores beneficiem de baixos custos operacionais para trajetos curtos e utilização de motores a combustão para viagens mais longas. Esta flexibilidade torna-os uma opção atraente para muitos consumidores que desejam reduzir a sua pegada de carbono sem as preocupações de autonomia associadas aos veículos puramente elétricos.
Os veículos a gasolina continuam a ser a opção mais acessível em termos de custo de aquisição, mas os custos operacionais estão a aumentar devido